a experiência lésbica com a vida.
Muitas vezes me peguei pensando sobre o que significava a palavra ‘lésbica' e o que exatamente significa fazer parte dessa nomenclatura para mulheres que amam outras mulheres.
De acordo com a internat, a palavra “lésbica” vem do latim lesbius e inicialmente se referia aos habitantes que viviam na ilha de Lesbos, na Grécia. Mas que ficou conhecida pela poetisa ‘Safo’ que escrevia seus poemas de amor e beleza para as mulheres que se relacionava. Porém o que realmente significa ser uma lésbica?
Inicialmente, tomando em conta experiências próprias vividas por mim, eu não tinha conhecimento quase algum sobre a palavra, visto que vivia entre inúmeros discursos com cunho preconceitudos em que apenas a palavra sapatão” era mencionada. E para mim, ser aquilo que era dito com tanto nojo por pessoas que eu confiava e amava era totalmente errado. E adivinhem só: mais tarde me descobri ser tudo aquilo que em algum momento eu imaginei também ser errado; lésbica. (ou sapatao) E após essa “descoberta” eu entendi muito bem o que significava fazer parte daquilo; era bom, muito bom, mas vinha em conjunto um fardo a carregar.
O que uma menina no começo da adolescência saberia sobre o amor e ainda mais sobre quem ela é? Pois então, era o que eu me perguntava quando me sentia muito feliz em apenas ver a menina que eu tinha uma paixonite na época.
A in(experiência)
Acredito que uma das coidas que são tiradas de uma pessoa não-hetero é exatamente o que vai fazer com que ela se conheca: a experiência. Como se entender sem a oportunidade de experimentar sem o medo de ser vista com maus olhos? E pior, como se entender estando em um ambiente que todo comentário sobre isso é negativo?
O medo é algo que nos impede de fazer coisas que podem ser ruins, mas também nos impede de tentar, de ter experiências, de arriscar pelo menos pouco e sentir o que é realmente viver; ser feliz em sua própria verdade.
Uma das coisas que eu tenho quase certeza que é presente de forma significativa nas pessoas da comunidade lgbtqi+ é a sensação de não ter vivido, aproveitado sua adolescência e viver como um; poder cometer erros e aprender com eles, conhecer novas pessoas e fazer conexões. Mas o que realmente acontece é você quase ter uma crise de ansiedade na escola ao ouvir qualquer menção a palavra “lésbica”, “sapatao” (ou qualquer coisa relacionada) ao seu redor e achar que estão falando de você. - experiência própria.
As experiências que nos são pertimidas quase sempre são envoltas de medo, a sensação de ansiedade a flor da pele, de vergonha e o não-pertencimento. Nunca a do amor, do acolhimento e a liberdade de tentar. Por que uma pessoa hetero pode se dar ao luxo de namorar diversas pessoas, apresentar aos pais (e as vezes umas pessoas duvidosas) e não ser massacrada por isso? Heteronormatividade, religião, valores, preconceito - sim, eu sei os motivos.
Porém….
É necessário lutar?
Uma das coisas mais importantes para uma minoria é sua comunidade, e também a luta para conseguir sobreviver numa sociedade problemática. Entretanto, e se eu não quiser participar de luta alguma e apenas viver? É importante, mas porque esperam que qualquer pessoa de alguma minoria fale sobre isso abertamente e todo seu sofrimento e bla bla bla? É um pouco hipocrisia minha, já que eu mesma estou fazer isso PORÉM é necessário?
Pois é, infelizmente é.
Falar sobre algo é fazer com que a pauta se mantenha viva, mesmo que colocada como ‘mimimi’ ou deturpada de tantas formas. Mas consigo entender as pessoas que só querem viver, eu sou uma delas.
Tudo o que eu mais queria era continuar estudando, viver minha vida em paz com minha namorada e conseguir construir uma família, ter uma vida estável e ser feliz. Ser feliz.
Por que a felicidade custa tanto para pessoas como nós?
Eu não posso prever o futuro, e ninguém tem felicidade garantida pro resto da vida. Pode ser que amanhã as coisas piorem. Pode ser que você ganhe na loteria e as coisas melhorem mais ainda. A gente não tem controle de nada. Mas você não pode deixar essa falta de controle te impedir de viver o agora. - Um milhao de finais felizes.
Representatividade
Uma das coisas que mais me tranquilizavam e fazia com que meu caos interno se dissipasse pelo menos um pouco era conseguir me enxergar em livros, filmes, séries - qualquer forma de arte existente - e entender que eu não era a única passando por esses questionamentos, que possuía medos e vontades. Conseguir se enxergar em alguém, mesmo que fictício, me deixava com uma pontinha de esperança de que tudo ficaria bem no final. (Se a história não fosse triste, óbvio) Me fazia perceber que minha existência era possível, que em alguma haveria alguém que gostaria de mim como sou, que conseguiria viver uma vida minimamente normal. Construir uma família. Casar. Ser feliz. Tudo isso era possível no mundo da ficção, e eu implorava para quem me escutasse que me deixasse viver tudo aquilo também. Fui escutada? Só vivendo pra descobrir.
“Vai chegar um tempo – talvez até enquanto você lê isso – que as pessoas não estarão mais no Facebook. Vai chegar um tempo em que as estrelas adolescentes do seu programa favorito terão 60 anos. Vai chegar um tempo em que você terá os mesmos direitos que seus amigo héteros. (Provavelmente antes de qualquer estrela do seu programa favorito completar 60 anos.) Vai chegar um tempo em que o baile gay não terá que ser separado. Em que você olhará para alguém mais jovem do que você e sentirá que ele ou ela saberão mais do que você sabe. Um tempo em que você não estará preocupado em ser esquecido. Chegará um tempo em que o evangelho será reescrito. Se você jogar suas cartas direito, a próxima geração terá muito mais do que você teve.” - Dois Garotos se Beijando.



Muito bom seu texto, Lia. Ter uma vida melhor exige lutar por isso (o meu mundo ideal não é o mesmo que para os 8 bi de outras pessoas, se é que tem mundo ideal). No entanto, a luta em comunidade não precisa eliminar a vida que há dentro e a sua expressão, de maneira a vontade. A mente guia e atrai a realidade e as ações coordenam isso tudo.
Amei o texto. Belíssimo!